A Igreja e o apostolado dos leigos

Apostolado dos Leigos

O convite, o encontro e a resposta passam pela experiência do fascínio. Ao responder esse chamado que remete a viver em comunidade e em estado permanente de missão, o discípulo tem a alegria de seguir a Jesus Cristo “passo a passo pelos caminhos do evangelho” (DA p. 268). Os leigos discípulos missionários do senhor cooperam como: Cidadãos deste mundo, em tudo o que diz respeito à edificação e gestão da ordem temporal, devem, na vida familiar, profissional, cultural e social, procurar, à luz da fé, as razões últimas do seu agir e manifesta-las aos outros oportunamente, conscientes de que si tornam assim cooperadores de Deus criador, redentor e santificador e de que lhe dão glória (APOSTOLICAM ACTUOSITATEM, p. 89). Portanto, sabedores da graça que lhes envolve, em participar do múnus, sacerdotal, profético e régio de Cristo, os leigos e leigas conscientes de sua resposta ao chamado feito por Cristo, assumem sua responsabilidade de discípulos missionários no mundo, respondendo com seu sim na liberdade de batizados e membros da comunidade instituída por Cristo.

LEIGOS A PARTIR DO CONCÍLIO VATICANO II

O Concílio vaticano II (1962-1965), concluído, sob o Papado de Paulo VI, foi um Concílio pastoral eclesiológico onde duas palavras ganham densidade: aggiornamento (atualização) e diálogo (participação). Sendo esse o primeiro Concílio “na história da Igreja a tratar da teologia do sacerdócio comum e do laicato” (PIÉR-NINOT, INTRODUÇÃO A ECLESIOLOGIA, p. 61). Tendo, “esclarecido os ministérios da Hierarquia, o Santo Sínodo tratou do estado dos fiéis que são denominados leigos” (LUMEN GENTIUN, nº 30) deixando claro que todos “pelo batismo foram incorporados a Cristo, constituídos no povo de Deus e a seu modo feitos participantes do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, pelo que exercem sua parte na missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo” (LG, nº 31).

Assevera também no Decreto Ad Gentes que “A Igreja não se acha deveras consolidada, não vive plenamente, não é um perfeito sinal de Cristo entre os homens, se aí não existe um laicato de verdadeira expressão que trabalhe com a hierarquia. Porque o Evangelho não pode ser fixado na índole, na vida e no trabalho dum povo, sem a ativa presença dos leigos” (AD GENTES nº 21). Os que une intimamente à sua vida e missão dá-lhes também parte no múnus sacerdotal de Cristo. Ungidos pelo Espírito Santo, os leigos são admiravelmente chamados e munidos para que neles se produzam sempre mais os frutos do Espírito. Assim todas as suas obras, preces e iniciativas apostólicas, vida conjugal familiar e trabalho cotidiano, tornem-se hóstias espirituais agradáveis a Deus (LG, nº 34).

Pela participação no múnus profético de Cristo os leigos e leigas juntos com a hierarquia da Igreja, assumem o compromisso de fazer crescer o Reino de Deus no mundo. Pelo o dom da palavra e sustentados pela esperança, deem testemunho, na vida secular. Nesta proclamação da fé e na realização do testemunho, tem peculiar missão a vida matrimonial e familiar (LOPES, GERALDO: LG, TEXTO E COMENTÁRIOS, p. 109). Por sua vocação e missão, os leigos participam do múnus régio de Cristo, para a dilatação do Reino do Pai. Com sua vida santa e com o mutuo auxílio, os leigos fazem com que este mundo seja permeado do espírito de Cristo e possa atingir o seu fim. Toda a vida dos leigos e leigas deve permitir que Cristo ilumine cada vez mais a humanidade inteira com sua luz salvadora (LOPES, GERALDO: LG, TEXTO E COMENTÁRIOS, p.111).

LEIGOS E LEIGAS NO DEBATE DAS CONFERÊNCIAS LATINO-AMERICANAS E CARIBENHAS

Avanços e Contribuições de Medellín

A conferência de Medellín no ano de 1968 promoveu consideravelmente as ações eclesiais promovidas pelo laicato, alimentando ainda mais seu caráter missionário para o crescimento da Igreja. Essa conferência se propôs a rever a dimensão apostólica da presença dos leigos no contemporâneo processo de transformação do continente Latino-Americano, despertando e motivando os leigos a um maior empenho e compromisso também nos campos da: justiça, paz, família e demografia, juventude e educação. Em suas orientações, o documento de Medellín anima o laicato em seus movimentos enfatizando a modernização e as mudanças ocorridas. Os meios funcionais constituem em nossos dias os centros de decisões mais importantes no processo de transformação social, e os focos onde se condensa ao máximo a consciência da comunidade. Essas novas condições de vida obrigam os movimentos dos leigos da América Latina a aceitarem o desafio de um compromisso de presença, de adaptação permanente e de criatividade (CELAM, MEDELIN, nº 10.3). As recomendações pastorais que o documento apresenta objetiva a “promoção de equipes apostólicas e movimentos seculares em lugares e estruturas funcionais, onde se elabora e se decide o processo de libertação e humanização da sociedade” (KUSMA, CESAR: LEIGOS E LEIGAS, FORÇA E ESPERANÇA DA IGREJA NO MUNDO. p.77).

Avanços e Contribuições de Puebla

A Conferência de Puebla em 1979 procurou em sua reflexão sobre o laicato ter como base a participação dos leigos na vida da Igreja e na missão dela no mundo. Destaca a espiritualidade como um aspecto muito importante na vida e no exercício dos serviços laicais, cultivando uma espiritualidade mais apropriada à sua condição. Puebla, nº 797 apresenta algumas dimensões essenciais, a saber: que leigos e leigas não fujam às suas realidades temporais para buscarem a Deus. Infundam nessa presença e atividade uma inspiração de fé e um sentido de caridade cristã. E que descubram nesta realidade a presença do Senhor (KUSMA, CESAR: LEIGOS E LEIGAS, FORÇA E ESPERANÇA DA IGREJA NO MUNDO. p.80)

Avanços e Contribuições de Santo Domingos

A conferência de Santo Domingo (1992) igualmente deu sua contribuição. Seguiu a linha refletida sobre os leigos na Igreja e no mundo, apontando para a ação e o protagonismo realizado por eles na missão evangelizadora da Igreja. O nº 94 do documento produzido por esta Conferência chama os leigos de agentes e destinatários da boa notícia. Esta conferência pede para que promovam os “conselhos de leigos” e incentive também a formação integral, gradual e permanente. Esse ponto positivo levou a uma preocupação acerca da formação teológica. O documento questiona uma maior integração nos ministérios assumidos pelos leigos, bem como a importância das associações e movimentos. Por fim destacou uma linha pastoral prioritária a ser assumida, “uma Igreja na qual os fiéis cristãos sejam protagonistas. Um laicato bem estruturado, com uma formação permanente, maduro e comprometido” (KUSMA, Leigos e leigas, força e esperança da Igreja no mundo, 82-83).

Carlos Franco